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    Criatividade
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    Aprendendo com o erro

    Todo mundo já ouviu aquela frase clichê: é errando que se aprende. Não há nada mais verídico que isto, pois o ser humano é fadado ao erro e como já dizia Gonzaguinha, viver é a beleza de ser um eterno aprendiz.

    Mas de nada adianta errar e não absorver algo de positivo disto. Quando aprendemos com nossos erros, passamos a dominar uma fase sobre a qual não tínhamos o conhecimento e devemos isto à experiência.

    Isso se aplica também e principalmente ao ramo profissional. O sucesso nem sempre será a primeira fase, por isso, o fracasso é uma etapa a ser vivida.

    Dessa forma, temos a cultura do erro, que permite que nossas falhas sejam inteligentes ao colher bons frutos desta experiência e também como meio de impulsionar a inovação.

    O erro e a criatividade

    Quando uma ideia sai da parte teórica, seguirá para a parte prática e deve ser testada e dizer o quão viável ela é para o negócio. Portanto, é necessário arriscar tanto na elaboração de uma ideia quanto na sua implementação.

    E o erro faz parte deste processo e é uma margem inevitável, mas, tradicionalmente, ele não é visto de forma natural e sim de modo descartável, que envolve diretamente seus responsáveis.

    As empresas costumam reprimir tanto os erros, que os funcionários têm medo de arriscar e falhar, aflitos de que isso possa comprometer seu trabalho. Desta forma, eles se sentem oprimidos em sugerir coisas novas ou partir para um campo mais exploratório, tendo sua criatividade inibida.

    Na maioria das empresas brasileiras, isso é frequente e muito desvantajoso, pois a criatividade é um fator de destaque entre os concorrentes e muito importante no setor de inovações.

    Neste âmbito corporativo, o foco sempre foi compartilhar boas práticas para reforçar o ego, do que partilhar erros para gerar aprendizado. Os funcionários se arriscam e as recompensas são apenas da organização. Felizmente, a cultura do erro muda este cenário.

    Cultura do erro

    Cultuada primeiramente em empresas do Vale do Silício, esta cultura diz respeito à mentalidade de que os erros são fundamentais para o crescimento, bem como para a reinvenção.

    Ela tem como intuito encorajar a inovação e o risco, com foco em soluções. Em ambiente controlado, é possível identificar falhas, calcular acertos e oportunidades e definir movimentos rápidos para correções.

    Portanto, a cultura do erro em uma organização define como cada erro será tratado em um ambiente de reciclagem, aprendizado, responsabilidade e respeito. O funcionário deve sentir que seus erros são tratados de forma construtiva e não punitiva.

    As empresas também têm medo do erro, por isso, tendem a encobertá-lo quando acontece. O ideal é ser exposto o quanto antes para que seja de fácil solução. Detectar o erro é o primeiro passo desta cultura.

    Após ter identificado, é crucial levantar a origem do problema para que o aprendizado sirva a toda equipe, sem exoneração de culpa. Feito isso, é hora de absorver os efeitos positivos, como por exemplo, uma nova ideia de um projeto que deu errado e serviu de modelo e até mesmo soluções rápidas para reparar um erro.

    Os erros não são iguais

    É importante ressaltar que cada erro tem sua peculiaridade, alguns podem ser por desvio de conduta, falta de atenção ou capacidade, enquanto outros podem ser devido à complexidade de um processo ou de um teste exploratório, por exemplo.

    O aceitamento dele é fundamental no processo do autoconhecimento e na hora de potencializar forças. Todavia, somente um bom líder pode neutralizar o jogo de culpa para aprender com o erro de forma madura.

    O grande desafio é usar os erros de forma inteligente, que gere conhecimento e inovação a fim de minimizar seus riscos.

    Práticas de gerenciamento

    Mais que uma cultura de erros, é também uma cultura de inovação e rápida aprendizagem, que instiga as pessoas a produzirem em um ambiente livre e aberto a sugestões.

    Muitas empresas abriram mão de sua estrutura hierárquica, expandindo a equipes multifuncionais a participação em reuniões para elaborar projetos e assim incentivar a sugestão de ideias.

    É essencial alcançar novos horizontes e deixar claro que a filosofia da empresa cultiva um ambiente onde a falha é uma parte aceita do progresso, para garantir que a cultura da estagnação e do medo não prevaleça.

    Quando um novo projeto é iniciado, o líder deve incentivar seus funcionários a desenvolver uma hipótese, depois testá-la e aprender com seus resultados. Chamamos isso de falha inteligente, pois tem base em bons raciocínios, dados e suposições.

    Para investir nestas práticas, são utilizadas metodologias ágeis realizadas por experimentação. Costumam ter um preço em conta, pois, em caso de erro, este erro sai rápido e barato.

    Falhas inteligentes

    Cada empresa deve classificar as falhas que considera inteligente, levando em conta as diretrizes e abordagens que caracterizam a tomada inteligente de riscos seguido de exemplos, para que os colaboradores saibam diferenciar a maneira certa e a errada de falhar.

    O intuito de trazer à tona os erros, é que eles possam também servir como bases de discussões em reuniões e até mesmo entre colegas, além de aprimoramentos.

    Um dos métodos de incentivo mais legal nesta cultura do erro é a recompensa de falhas inteligentes. Como dito no começo do texto, somente o sucesso é notado, então, que tal notar também quem tentou?

    Foi isso o que o programa indiano Innovista fez muito bem. Em meio a premiações das melhores inovações do ano, a companhia também premiou as melhores tentativas na categoria “Dare To Try”. Com as falhas mais ponderadas e bem executadas, a premiação diferenciada além de incentivar a criação e a participação, incentivou o risco.

    No Brasil

    Temos a farmacêutica Sanofi, que abriu uma votação para seus funcionários escolherem o maior erro do ano anterior. Neste concurso, a equipe que recebeu mais votos levou um prêmio simbólico de “vale-coragem”, que significou a aprovação da empresa que, apesar do erro, a equipe agiu certo.

    Ainda são poucas as organizações que adotaram esta cultura, pois a maioria é focada em resultados a curto prazo, por isso, não há margem para erros.

    Como uma consequência da herança industrial brasileira, o controle, o conservadorismo e a otimização prevalecem, sem dar espaço à criatividade, a inovação e a intolerância aos erros. Mais um motivo para adotar esta cultura.

    Publicado em:

    Estrategias que Transformam

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