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Inteligência Artificial
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O que é uma inteligência artificial?

Durante as minhas aulas sobre o tema, já ouvi muitas definições, propostas pelos meus queridos estudantes. E quase sempre todas estão certas. Ou, por outro ponto de vista, nenhuma errada.

Pois é. Definir inteligência artificial é tanto complexo quanto definir a inteligência humana. O que faz de um ser humano, um ser inteligente? Quantas inteligências diferentes conhecemos?                                     

Sem querer olhar para trás – e acabar falando do cogito ergo sum, o bom e velho “penso, logo, existo” – vamos orientar nosso olhar para o futuro. A inteligência artificial cresce exponencialmente.

Mesmo sendo teorizada e estudada há muito tempo, o desenvolvimento das micro-tecnologias de armazenamento de dados e das “nuvens” tem gerado, para o crescimento da IA, aquele ponto de “não retorno” positivo.

Uma inteligência artificial é a combinação de três elementos fundamentais: fontes de big data, modelos de dados e potência de processamento dos mesmos.

Esse último elemento sempre precisou de muito hardware e grandes despesas para acontecer. Mas a nuvem acelerou vertiginosamente esse processo e, hoje, a IA está viralizando no nosso cotidiano. E isso tanto despercebida quanto rápida.

Estamos sempre complementando, e algumas vezes substituindo, nosso raciocínio pelo o das máquinas. Não precisamos ir longe: pensem em quantas vezes nossos aparelhos de GPS nos aconselham um caminho diferente. E, além disso, quantas vezes aceitamos o conselho, sem ao menos nos questionarmos.

A máquina falou, “tá falado”.

Falando de forma ampla e aplicada sobre human centricity, nossa forma de pensar o mundo e agir nele vai tirar a centralidade do pensamento humano a entregá-la ao pensamento artificial. Essa penetração das inteligências artificiais está acontecendo em todos os segmentos – e, obviamente, o ambiente de trabalho não ficará fora dessa.

A produtividade dos países sempre teve que lidar com limites “físicos”, como capitais de investimento e trabalho. Precisava-se de mais trabalho para produzir mais. Agora, para produzir mais, um país precisa investir em tecnologia. Quem está se adiantando com isso, está se garantindo na pole position no ranking das economias mundiais.

Para aproveitar ao máximo do potencial de crescimento, as empresas precisam focar em convergir e integrar tecnologia, dados e pessoas. Isso pode ser feito por meio de quatro pontos. O primeiro dele é preparar a força trabalho do futuro.

Antes de decidir de querer morrer na praia e não no próprio escritório, Jack Ma, fundador da plataforma de e-commerce AliBaba, declarou que nosso sistema educativo não pode mais ser baseado apenas no conhecimento, entendido como “armazenamento de informações”. Porque, na verdade, isso significa competir diretamente com as máquinas. Está destinado ao fracasso.

Precisamos, sim, preparar nossos jovens a lidar com assets nos quais as máquinas não podem competir com os humanos: empatia, espírito de equipe, arte e criatividade.

Mas aqui vale um ponto de atenção. Uma das coisas que a máquinas mais fazem é aprender. O processo de machine learning não mata aula. Está sempre sentado na primeira fileira. Assim, nosso processo de aprendizado também não pode parar aos fim dos anos da nossa juventude. Ele precisa ser constante no tempo.

A verdade é que as partes estão se invertendo. A inteligência artificial foi criada imitando a forma que o cérebro humano funciona, chegando a níveis impressionantes, como nos casos do deep learning e do processamento de linguagem natural. Porém, agora é o cérebro humano que precisa compreender o funcionamento do artificial – adaptando-se a algo que eu chamei de Artificial Oriented Human Learning (AOHL).

Uma vez que o sistema educativo orienta nossos estudantes à uma nova era, e os acompanha durante toda a trajetória de trabalho, podemos estar tranquilos que não iremos cair em outras ciladas da futuro liderado pela AOHL? Não, não podemos.

Como falei anteriormente, existem mais dois pontos que precisamos dar muita atenção. O terceiro deles é a Ética.

Vamos supor que um médico use IA para diagnosticar uma doença. Mas esse diagnóstico está errado, gerando danos ao paciente. De quem é a culpa? Do médico ou da máquina?

Tudo bem, não vamos tão longe. Pensemos no dia a dia: você chegou tarde naquela reunião de um bilhão de dólares porque o seu sistema de navegação pifou e te levou para o lugar errado. De quem é a responsabilidade?

Precisamos pensar o quanto antes um código ético precisa disciplinar a lei e a praxe no uso das inteligências artificiais. Hoje se fala tanto de privacidade de dados pessoais, mas um dado anônimo pode virar pessoal na base da forma que ele é usado. E muitas vezes, ele será usado por uma máquina. Aliás, as inteligências artificiais serão sempre mais engajadoras do ponto de vista emocional.

Quem vai disciplinar o assédio emocional de uma assistente virtual?

Dulcis in fundo, o quarto ponto é o direcionamento da redistribuição dos efeitos dessa transformação. Já vimos vários estudos sobre quais trabalhos “humanos” vão se extinguir, sendo substituídos pelas máquinas. A eliminação desses jobs vai gerar desemprego, concentrado em determinados segmentos. É preciso, o quanto antes, criar uma estratégia de recolocação para os segmentos mais afetados, aproveitando os benefícios que a transformação está trazendo.  

As máquinas vão nos dominar? Acredito que não (Elon Musk que me perdoe). Porém, temos que nos preparar para pensar “artificial oriented”. Porque, como se fala no Brasil, “pra tudo tem um jeito” – mas para lidar com crescimento da Inteligência Artificial, não.

 

 

Publicado em:

Estrategias que Transformam

Um comentario em “Human Centricity: qual inteligência vai nos liderar no ambiente de trabalho?

  1. Achei interessante a publicação. Com passar do tempo os negócios vão se expandindo e toda informação precisa ter tragetórias mais rápidas. Serviços que pareciam comuns agora correm o risco de logo serem substituídos por outros ainda mais eficientes e com tecnologia de ponta.

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