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    Transformação Digital
    https://estrategiasquetransformam.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-armadilha-de-personalização-1-1920x550.jpg

    A armadilha da personalização

    No meio do caminho tinha uma busca. Tinha uma busca no meio do caminho. Eu pergunto, ela responde. Ela responde e eu me pergunto: e agora, José?

    Buscar é muito perigoso. Uma busca resolve um problema agora e cria outros pra sempre. Se a moça perguntar por aborto o que será da vida dela? Vai ser preterida em concursos? Vai perder o limite do cartão? Vai cair no ranking do Tinder… ou subir?

    Se eu pesquisar sobre Drummond que anúncios vão me perseguir pelo resto da vida? Que emails vão me inundar o inbox? Quanto vou pagar a mais no meu plano de saúde?

    O pior é a confiança, pois Busca é como Capitu… Você já reparou nos olhos dela? São assim de cigana oblíqua e dissimulada. Tenha a certeza que o que ela te responde é enviesado, não é o mesmo que ela diz pro vizinho.

    A farmácia pediu meu CPF, eu dei. Eles me deram um papel comprido com descontos que eu não queria e foram correndo dedar escondido tudo o que eu fiz para o primeiro que pagou por isso.

    Já me ofereceram de graça um teste de DNA capaz de maravilhas, declinei. Justo os meus genes, o último reduto da minha identidade, iam subir pra alguma nuvem cheia de furos? Pior ainda: meus genes não são só meu problema, eles podem expor meus pais, minha irmã, filhos se eu tivesse. Eu, hein? Declinei. Eu entendi tudo quando assisti ao vídeo The Selfish Ledger que o Google jura de pé junto que não é para ser levado a sério. O que pode ser mais assustador, pensei, do que uma corporação brincando de Deus onisciente decidindo como mudar o nosso comportamento sem que a gente perceba?

    Claro que não demorou muito para perceber que sim, há algo mais assustador que uma empresa onipresente, onisciente e onipotente: uma orgia obscura de sanguessugas de dados nos tornando oni-impotentes, onde a farmácia da esquina nos vende no atacado e o hacker diabólico nos ataca no varejo, onde um telefonema falso de banco sabe mais sobre você do que o teu gerente verdadeiro, onde um plano de saúde insano pode um dia te perseguir porque você recusou cloroquina, onde um desgoverno incompetente deixa vazar nossos dados como uma Brumadinho digital.

    Bons tempos quando meus pesadelos eram uns poucos dragões. Hoje vivo até o pescoço num ninho de cobras, e tudo isso porque alguém em algum momento (Facebook? Google?) virou o digital do avesso e a internet deixou de nos servir para nos servir numa bandeja de prata a quem quiser pagar por isso.

    Quem paga pelos meus dados me leva de presente ou comprou gato por lebre? Que certeza eles têm que o saco de gatos que compraram representa a mim ou a algum Frankenstein que não existe?

    Se eles fizerem um anúncio baseado nisso e eu clicar para fazer um seguro-saúde, qual será o preço? E se eu não tivesse feito aquela busca? E se meu CEP fosse outro? E se eu me chamasse Raimundo?

    O telefone fixo aqui em casa voltou do reino dos mortos para tocar nas horas mais impróprias. Quem chama? Assistência Funeral. O que será que andei buscando?

    Como diria Bandeira, a única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

     

    The Selfish Ledger – Video comentado acima:

     

    Publicado em:

    Estrategias que Transformam

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