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Transformação Digital
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Qual canal está sendo mais expressivo e transformador?

O ad spending na Internet continua crescendo. A Internet é sempre mais importante no panorama de mídia internacional. A mídia Internet supera a tv. A Internet cresce mais que as outras mídias. A era da Internet. A geração Internet.

Internet.

O que queremos dizer com essa inflacionadíssima palavra?

O que é essa Internet, afinal?

Segundo resultados do Google, a Internet é uma rede de computadores dispersos por todo o planeta que trocam dados e mensagens utilizando um protocolo comum, unindo usuários particulares, entidades de pesquisa, órgãos culturais, institutos militares, bibliotecas e empresas de toda envergadura. Pois bem.

É uma definição contestável por alguns, inclusive eu. Mas vamos aceitar que seja suficientemente válida para continuar seguindo minha linha de pensamento. A Internet é uma rede de computadores então. Ok.

E o que é um computador?

Novamente dando um Google, entendo que o computador seja uma máquina destinada ao processamento de dados, capaz de obedecer a instruções que visam produzir certas transformações nesses dados para alcançar um fim determinado. Ok.

Então a Internet é uma rede de máquinas que processam dados para obedecer a instruções que produzem transformações. Certo?

E o que é uma máquina que processa dados hoje em dia? Um servidor? Um laptop, aquele hardware que você leva na mão entre uma sala de reunião e uma outra como a Bíblia do Cabo Daciolo? Com certeza esse hardware enorme, que vai fazer seus netos rirem da sua cara pelas fotos, é uma máquina que processa dados.

Veja bem, existem muitas máquinas conectadas que processam dados. Estamos entrando na era do IoT, Internet of Things, a Internet das coisas. Ou seja, a Internet não é mais uma rede de servidores trocando paquetes de dados. É uma rede de “coisas” trocando informações. Uma geladeira pode ser Internet. Você já comprou mídia numa geladeira?

Em um futuro muito próximo, vai comprar. Vai por mim. Por enquanto, no mucho.

Então o que aquela palavra Internet, que tem fatias de ad spending sempre maiores nas pesquisas, representa?

Representa as ferramentas de comunicação e de informação digital? Pode ser. E quais ferramentas temos hoje para receber informação de forma digital?

Temos as smart tvs também, não é? Elas trocam dados e mensagens para você ver seu seriado favorito na Netflix. E aí? Como elas passam a fazer parte das pesquisas quando falamos de Internet?

Internet pode significar muitas coisas. Mas entre todas essas coisas, existem duas que ainda detêm a liderança no mundo digital – o desktop e o mobile. E entre esses dois meios existe uma dicotomia primária quando falamos de Internet.

Mas quem diria hoje, sem sombra de dúvida, que o investimento em mídia desktop está crescendo?

Internet que cresce é mobile

Quem está liderando esse crescimento digital é um meio tão presente da nossa vida que chega a se camuflar com nosso corpo. Ele é quase uma parte integrante de nós mesmos. O mobile.

Não tem meio que represente mais a human centricity que o smartphone. E também, não tem outro meio que possa entregar para as marcas as pessoas que elas estão procurando de forma mais eficiente.

Os dispositivos móveis são a verdadeira razão pela qual a “Internet” cresce. Ainda não são as coisas da IoT, que, por enquanto, são bebês procurando alguém que os adote. Enfants prodiges que com certeza vão amadurecer com muita velocidade, mas ainda são bebês. E nem é o desktop, vulgarmente chamado computador.

O que está crescendo de verdade é o mobile.

E o mobile não é uma extensão do desktop. Nem uma parte indistinta dessa pangeia digital que as pesquisas mostram. É um meio à parte. Com assets e issues peculiares que existem apenas no mundo mobile. Com métricas, formatos, recursos que são exclusivos desse determinado meio. Ele, com todos os outros meios, tem vida própria.

E por que continuamos a falar de digital como se fosse algo único? O que não é digital é o que? Offline. Pois bem.

Segundo o report Global Entertainment & Media Outlook, da PwC, publicado em junho de 2018 sobre a divisão do ad spending no mercado dos Estados Unidos, a “Internet” lidera o ranking em 2018 com quase 100 bilhões de dólares de investimento publicitário contra os 71 bilhões da televisão, os quase 18 bilhões da rádio e aí vai descendo com impressos, out of home etc. Mais uma pesquisa falando do crescimento da Internet.

Agora, me expliquem uma coisa. Porque o offline se divide entre tv, radio, OOH enquanto nossa amada rede online continua sendo sempre e somente “Internet”?

Porque o offline se divide entre os vários meios e a Internet não. Quando vamos entender que mobile é uma coisa, desktop é outra, OOH digital é outra, smart tv é outra e assim vai?

Segundo minha modesta opinião, até falar de mobile me parece bastante obsoleto se consideramos que temos várias formas de ser e fazer mobile.

Temos o mobile web, o mobile in app, o tráfego wi-fi, o carrier advertising, temos até os serviços de mensagens SMS e MMS. Ainda que esses últimos estejam dando os últimos passos como dead man walking proporcionalmente à troca geracional entre smartphones e feature-phones.

Qual está crescendo mais entre eles, qual está descendo? O mobile in app com certeza é o que lidera o mobile, que por sua vez lidera a Internet.

Acompanho de perto os reportes anuais da Mobile Marketing Association e o número médio de apps que todos nós usamos diariamente aumenta a cada ano. E em todas as categorias demográficas. O tráfego concentrado nesses apps, consequentemente, também. O investimento nesses canais segue a onda.

Porém, a maioria das pesquisas fala ainda de Internet. Ai ai… viu?

Quem ganhou as eleições foi o mobile

Acabamos de assistir à campanha eleitoral mais mobile da história do Brasil. Mas o que os experts falam? Que a mídia vencedora das eleições foi a Internet. Ou, no melhor dos casos, falam que foi o digital.

Oi?

Quem ganhou as eleições foi o mobile, minha gente. Você compartilhou aquele meme pelo laptop? Bloqueou sua tia pela smart tv? Você fez aquela briga com a sua amiga do colégio pelo relógio digital da praça? Deu “amei” no textão do seu professor favorito pela sua geladeira eletrônica? Compartilhou fake news achando fosse uma mensagem evangélica pelo computador de bordo do seu carro?

Acredito que não. Tenho um forte pressentimento que você fez tudo isso pelo seu celular.

Então, como se fala na Itália, vamos dar a César o que é de César? Quem está liderando as pesquisas não é a Internet. É o Mobile.

E quando, afinal, vamos parar de falar de Internet?

Publicado em:

Estrategias que Transformam

2 comentários “Quando vamos parar de falar da Internet?

  1. Mais um artigo excelente do Simoene!

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