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Qualificação profissional

Estamos em pleno período de transição histórica, em que novas formas de produção e consumo tomam o lugar de velhas práticas. Se você tem uma empresa, saiba que pode ficar sem funcionários, e não é apenas pela automação. Se teremos uma tecnologia mais avançada, precisaremos de pessoas qualificadas para operarem à frente do processo de automação.

Nesse cenário, a requalificação de trabalhadores se tornou uma das prioridades para empresas e governos, ainda que o setor público se concentre mais em políticas de incentivo do que na influência direta. Preparar os trabalhadores será fundamental, tanto para garantirmos a aptidão necessária nesse novo contexto quanto para evitarmos riscos sociais e econômicos.

A situação atual

A consultoria McKinsey & Company realizou um estudo para estimar o número de trabalhadores que perderão o emprego até 2030. O resultado demonstrou que 800 milhões enfrentarão esse problema.

Em relação aos que precisarão trocar de profissão, o relatório do McKinsey Global Institute demonstrou que serão 275 milhões de trabalhadores. Isso corresponde a aproximadamente 14% da força de trabalho global.

Outros estudos caminham nessa mesma direção. Carl Benedikt Frey, um pesquisador especializado em automação, em parceria com Michael Osborne, historiador de economia, concluiu que 47% dos trabalhadores americanos serão diretamente afetados pela automação.

A dupla listou as atividades profissionais que mais correm risco. Com base em uma metodologia própria, que leva em consideração as probabilidades de automatização das funções, concluíram que 702 trabalhos estão em perigo de extinção.

Ainda não temos certeza de quais são os primeiros trabalhos que deixarão de existir nos próximos anos, temos apenas os dados apontados pelos estudos. No entanto, o estudo de Carl e Michal fornece mecanismos para estimarmos as porcentagens. Por isso, o cientista da computação Mubashar Iqbal utilizou a metodologia para criar seu site Will Robots Take My Job?. Basta pesquisar pelo trabalho para ver a probabilidade de ele ser extinto no futuro.

O desafio da requalificação

Muitos acreditam que o processo de automação é inexorável, como uma força da natureza a qual estamos submetidos. Para esses, a humanidade sempre caminha no sentido da automação não importa as decisões que tomamos. O processo de evolução acontece à parte, e nós não temos nenhuma influência nele: devemos apenas aceitá-lo. Será assim mesmo?

Evidentemente, não. Quando deixamos de lado suposições e buscamos ver o mundo de hoje, o que acontece diariamente nas empresas, percebemos que não é assim. O processo de automação é uma decisão humana, que parte de gestores, líderes e administradores. São as decisões do negócio que implicam na direção das empresas e nas vidas dos trabalhadores.

Mas quais são as razões diretas para essa necessária requalificação profissional? A digitalização dos processos, automação tecnológica, Inteligência Artificial entre outras mudanças da chamada “Indústria 4.0”. Essas mudanças deverão ser implementadas para as indústrias reduzirem o tempo de produção e o custo. Com isso, novas habilidades serão exigidas dos trabalhadores, que deverão fazer mudanças profundas nos seus planos de carreira.

Portanto, se a implementação de novas tecnologias e o impacto no mercado de trabalho é papel de gestores, a responsabilidade por novas requalificações também deve ser. E a pesquisa da McKinsey demonstra que gestores sabem disso.

Segundo sua pesquisa com 300 executivos de empresas de grande porte, 58% crê que a responsabilidade pela requalificação é das próprias empresas, e não dos governos ou instituições de ensino. Além disso, 62% acreditam que até 2023 terão que requalificar ou substituir mais de um quarto dos funcionários. Ou seja, a maioria já trabalha nisso.

Requalificar em que direção?

As mudanças não devem gerar alarmismo, uma vez que já passamos por isso enquanto seres humanos. A exemplo, no início do século XX, os países mais desenvolvidos (basicamente, EUA e Europa) migraram de um trabalho agrícola para a manufatura. A mudança levou algumas décadas, mas a transição foi simples, uma vez que novos profissionais entravam no trabalho mais qualificados que os que saíam.

O desafio de hoje é diferente. Primeiro, porque nosso cenário é de um mundo altamente globalizado, que acelera as mudanças. Além disso, temos uma inversão na pirâmide etária, ou seja, as populações estão envelhecendo. Precisaremos de mão de obra qualificada o quanto antes, e isso implica requalificação e mudança de trabalho. Em outras palavras, trabalhadores mais velhos precisarão passar por essa mudança.

A direção da requalificação é, obviamente, a tecnologia. O Fórum Econômico Mundial também realizou um estudo sobre a mudança. Os resultados demonstram que robôs e Inteligência Artificial deverão ocupar 30% das horas trabalhadas até 2030. No Brasil, o impacto será em 16 milhões de empregos.

Já um estudo da Universidade Harvard, afirma que 53% da força de trabalho no Brasil possui 70% de chance de ser automatizada. O número representa cerca de 44,5 milhões de profissionais, de setores formais e informais.

A categoria que, segundo a Harvard, mais sofre risco com a automação é a dos motoristas, com 98% de chance de perderem espaço. Em seguida, vêm os auxiliares de escritório (97%), vendedores de lojas (95%) e caixas (90%).

Segundo o Mapa do Trabalho Industrial, até 2023, o Brasil precisará qualificar 10,5 milhões de trabalhadores do setor industrial. Entre os trabalhos mais necessários estão condutores de processos robotizados, pesquisadores de engenharia e tecnologia, engenheiros de controle a automação e mecatrônica, diretores de serviços de informática e operadores de máquinas de engrenagem.

De maneira nenhuma, devemos concluir que isso se trata de desemprego em massa. Ninguém irá acordar para trabalhar e perceber que um robô ocupou seu lugar. Ainda que a mudança aconteça rapidamente, o processo será sistemático. Temos dados sobre os cargos que estão ameaçados, o que permitirá aos trabalhadores se qualificarem com tempo.

Portanto, vendo dessa forma, notamos a oportunidade que essas pessoas irão ter, de se requalificar para ocuparem cargos mais valorizados. E essa requalificação deve ser feita em direção às novas tecnologias. Operações com robôs, máquinas e processos automatizados serão fundamentais. O caminho mais seguro para essa transição, como os próprios executivos sabem, deve ser fornecido pelas empresas, e quanto mais antes for preparado, mais benefícios teremos.

Publicado em:

Estrategias que Transformam

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