Agrotech: Tecnologia no agronegócio

A participação do agronegócio na economia brasileira é bastante significativa. O segmento já responde por pouco mais de 23,8% da atividade econômica do Brasil, que ainda deve crescer 2,1% em 2025, de acordo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Esses números demonstram a força do setor, que mesmo com a crise econômica que se instalou no Brasil desde o fim de 2014, permanece dando sinais de crescimento. E você já parou para pensar o quanto a tecnologia contribui para esse desenvolvimento? Pois bem, podemos dizer que a transformação digital é uma solução para os grandes desafios enfrentados pelo agronegócio.

O uso da tecnologia já é uma realidade em pelo menos 67% das propriedades agrícolas do país. Segundo a Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP), essa porcentagem já adotou recursos tecnológicos dentro ou fora do campo. Os números mostram que os produtores rurais entenderam a importância de se especializar e planejar melhor por meio das tecnologias, tornando-se mais competitivos e fortes no mercado.

Para entender um pouco mais da realidade agrotech no Brasil e no mundo e quais os impactos da inteligência artificial na agricultura, acompanhe o conteúdo que preparamos.

O cenário econômico e a realidade agrotech no Brasil

O Brasil vive um momento de possibilidade de incerteza econômica, porém há um horizonte de retomada. Depois de um forte período de recessão que se iniciou em 2014, a confiança dos empresários da agroindústria está mais elevada, e portanto, é preciso investir em tecnologias que agreguem valor à produção para que ela cresça.

A tecnologia no campo facilita o desempenho de tarefas, bem como o maior planejamento e controle da produção. Isso porque os recursos tecnológicos tendem a contribuir não apenas para a otimização dos resultados, mas também para a mensuração de dados e informações da lavoura.

Já existem soluções tecnológicas de gestão avançadas desenvolvidas especificamente para o agronegócio, focadas em demandas estratégicas do setor, como a redução de custos, o aumento da produtividade e os melhores resultados das safras.

O ecossistema agrotech vem evoluindo a cada ano com o surgimento de startups de agronegócio, que atendem às mais variadas demandas do setor. Os investidores e empreendedores estão focados em solucionar problemas do campo e prova disso é que as startups do agronegócio registram um crescimento médio de 70% ao ano, movimentando mais de R$ 15 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABS).

Ainda de acordo com a ABS, dados divulgados no fim de 2017 mostram que em menos de dois anos emergiram mais de 75 novos negócios agrotechs no Brasil, sendo que 15% faturam anualmente mais de R$ 300 mil.

Dados de 2023 mostraram que o Brasil tem mais de 2 mil startups exclusivas de agronegócio. O levantamento foi feito pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens. As agrotechs oferecem ferramentas de agricultura de precisão, uso de satélites, drones e robótica aplicada ao campo, além de soluções como big data, internet das coisas (Iot), inteligência artificial (IA) e sistemas de gestão em cloud computing.

Vale lembrar que esses negócios se voltaram para o campo com toda essa ênfase porque a internet atingiu certo grau de maturidade no Brasil e em paralelo, os agricultores também tiveram uma mudança cultural e até mesmo de mindset, que os tornou mais abertos às novidades dos sistemas digitais que ajudam na solução de problemas simples e também os mais complexos.

A tecnologia pode tornar o agronegócio mais eficiente e lucrativo

A tecnologia aplicada ao agronegócio atua em três principais frentes: ajudar na eficiência da produtividade rural, auxiliar os produtores rurais a trabalhar em conformidade com a legislação e a lucrar mais, ou seja, atingir os melhores resultados no campo.

A aplicação dos drones, por exemplo, ajuda no monitoramento e mapeamento de fazendas, lavouras e plantações, com o objetivo de identificar problemas e a partir disso criar planos de ação para minimizá-los ou saná-los. Os produtores analisam as imagens rastreadas, por meio da inteligência computacional, que os oferece ainda relatórios que vão indicar de onde as ações devem partir.

Há ainda tecnologias que ajudam no rastreamento dos alimentos das lavouras até chegarem ao consumidor final, com o objetivo de controlar a quantidade de agrotóxicos aplicados aos produtos.

O uso de satélites também permite o mapeamento de propriedades rurais no país ajudando a identificar, por exemplo, regiões de desmatamento, de trabalho escravo, de uso excessivo de agrotóxicos e até mesmo de presença de pragas ou doenças nas plantações.

Outras agrotechs criaram softwares e aplicativos inteligentes que ajudam, por exemplo, no rastreamento genético, sanitário e de manejo de animais, tornando a produção mais eficiente e a qualidade do produto final mais segura, e até mesmo no controle de aplicações para o combate às pragas e para o monitoramento de umidade e fertilidade das lavouras.

Além dos softwares de gestão das lavouras, há também aqueles que ajudam na compra e venda online de grãos, sementes e insumos agrícolas, o que facilita as negociações e as transações comerciais.

drones usado na agricultura
drones usado na agricultura
agrotech no agronegócio
agrotech no agronegócio

Revolução do agro 4.0 no campo

E a revolução 4.0 não chegou apenas na indústria, mas também marca forte presença no campo, principalmente por meio de tecnologias como a inteligência artificial, o big data e a internet das coisas.

Antigamente, o produtor tomava decisões apenas baseado no seu próprio conhecimento sobre a região de sua propriedade e do produto que cultiva, hoje, a cada safra, ele precisa agir cerca de 50 vezes para resolver problemas e amenizar impactos negativos e isso fica mais fácil com o uso dessas tecnologias. Com o uso dessas tecnologias, o produtor rural passa a tomar decisões mais assertivas.

Estamos falando da possibilidade de instalar sensores em máquinas agrícolas, que por meio da internet das coisas, o produtor passa a coletar dados em tempo real tornando a lavoura mais produtiva e trazer resultados mais positivos. Essa conectividade se dá até mesmo entre mais de uma propriedade rural, caso seja necessário conectar dados entre várias fazendas, sejam elas do mesmo proprietário ou não.

A inteligência artificial ajuda ainda a tornar a produtividade e a realidade no campo mais preditiva. Isso porque a aplicação dos sensores às máquinas ajuda na geração de dados em tempo real, criando rotinas mais inteligentes a partir da metrificação de erros e da identificação de oportunidades na lavoura.

Com o uso da IA, o produtor vai ser melhor orientado em relação a qual insumo agrícola usar, em qual momento, em qual quantidade para que ele consiga atingir o máximo de produtividade em sua fazenda. Tudo isso vai ser possível devido ao cruzamento de dados realizado a todo momentos pelos sensores instalados juntos as máquinas que vão conseguir prever vários acontecimentos na lavoura indicando aos agricultores as melhores decisões a serem tomadas.

Sendo assim, a adoção das tecnologias no campo pode ser principalmente caracterizada pela agricultura de precisão. Com as soluções tecnológicas disponíveis, o agricultor passa a ter dados e informações exatas e precisas sobre cada detalhe da propriedade rural.

Com a ajuda dessas ferramentas, o agricultor tomará decisões mais assertivas relacionadas às variações climáticas, ao manejo do solo, dos insumos, entre outros fatores que vão influenciar diretamente na produtividade e nos resultados do agronegócio.

A tecnologia também aumenta o conhecimento do agricultor em relação a sua produção, o que facilita a distribuição de insumos, a uniformidade da produção e a correção de erros e imprevistos durante toda a safra. Além de ter o maior controle da produção, o agricultor também tende a reduzir riscos, custos e a preservar melhor o meio ambiente.

revolução da industria 4.0
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